Atualmente, a inclusão de pessoas com deficiência (PCD) é um assunto de grande relevância. No contexto da surdez, que é uma das condições mais comuns entre as deficiências, muitos se perguntam: qual grau de perda auditiva caracteriza uma pessoa como PCD? Este artigo traz uma explicação detalhada sobre a questão, abordando os diferentes graus de surdez, o que diz a legislação brasileira e como a vida dessas pessoas é impactada por essa condição.
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Qual a diferença entre surdez e deficiência auditiva?
Definição de surdez
A surdez é uma condição de perda parcial ou total da capacidade auditiva. Essa perda pode ocorrer desde o nascimento, sendo chamada de surdez congênita, ou surgir ao longo da vida, sendo adquirida por fatores como doenças, envelhecimento ou exposição prolongada a ruídos. Dependendo do grau de severidade, a surdez pode afetar um ou ambos os ouvidos, influenciando a capacidade de comunicação e interação.
Tipos de surdez
A surdez pode ser classificada em quatro categorias principais, dependendo de qual parte do sistema auditivo é afetada:
- Surdez condutiva: Afeta a transmissão dos sons no ouvido externo ou médio, muitas vezes por infecções ou bloqueios como o acúmulo de cera.
- Surdez sensorioneural: Ocorre quando as células do ouvido interno ou o nervo auditivo são danificados, geralmente sendo irreversível.
- Surdez mista: Combina aspectos de surdez condutiva e sensorioneural.
- Surdez neural: Relacionada a problemas no nervo auditivo, que impede a interpretação correta dos sons.
Classificação dos graus de surdez

Graus de perda auditiva
A perda auditiva é medida em decibéis (dB) e pode variar desde leve até profunda. Os principais graus são:
- Leve (26 a 40 dB): A pessoa tem dificuldades para ouvir sons suaves e pode ter problemas para entender a fala em ambientes barulhentos.
- Moderada (41 a 70 dB): Conversar em tom normal se torna difícil, mesmo em ambientes mais silenciosos.
- Severa (71 a 90 dB): Sons precisam ser amplificados por aparelhos auditivos para que a pessoa consiga entendê-los.
- Profunda (acima de 91 dB): A comunicação normalmente depende de leitura labial ou de sinais, já que a pessoa só percebe sons muito altos.
Qual grau de surdez caracteriza uma pessoa como PCD?
Conforme a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), qualquer indivíduo com perda auditiva bilateral de 41 dB ou mais, mensurada por exames específicos (como o audiograma), pode ser considerado PCD. Ou seja, a partir da perda auditiva moderada, a pessoa tem direito a benefícios e à inclusão nos programas de acessibilidade do governo.
Como é feito o diagnóstico da surdez?
Exames auditivos
A confirmação do grau de surdez e a avaliação da condição auditiva são feitas por exames como:
- Audiometria tonal: Verifica a capacidade de ouvir sons em diferentes frequências e intensidades.
- Audiometria vocal: Avalia o quão bem uma pessoa consegue entender a fala.
- Imitanciometria: Analisa o funcionamento do ouvido médio.
- Potenciais evocados auditivos: Exame neurológico que mede a resposta do nervo auditivo aos sons.
Importância de um diagnóstico precoce
O diagnóstico da surdez é crucial, especialmente em crianças, para que medidas possam ser tomadas rapidamente, evitando atrasos no desenvolvimento da fala e da comunicação. A intervenção precoce contribui para que a criança se adapte e tenha um melhor desenvolvimento social, educacional e profissional.
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Direitos das pessoas com deficiência auditiva
Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência
A legislação brasileira assegura uma série de direitos às pessoas com deficiência auditiva, tais como:
- Acessibilidade: Garantia de acesso facilitado a serviços públicos, privados, bem como tecnologias assistivas.
- Educação: Direito a uma educação inclusiva com todos os suportes necessários para o aprendizado.
- Trabalho: Inclusão de PCDs no mercado de trabalho, com reserva de vagas em concursos e incentivos à contratação.
- Cuidados de saúde: Disponibilidade de serviços especializados e fornecimento de aparelhos auditivos.
Convenção Global sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
Além da legislação nacional, o Brasil é signatário da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que estabelece diretrizes para assegurar igualdade de condições e promover a inclusão das PCDs em todas as esferas da sociedade.
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Aparelhos auditivos
Os aparelhos auditivos são as tecnologias mais utilizadas para amplificar os sons e auxiliar pessoas com perda auditiva. Existem modelos variados, desde os usados por trás da orelha (retroauriculares) até os dispositivos mais discretos, inseridos no canal auditivo (intracanais).
Implantes cocleares
Implantes cocleares representam uma alternativa tecnológica capaz de beneficiar indivíduos com perda auditiva grave ou profunda. Estes dispositivos são implantados cirurgicamente e estimulam diretamente o nervo auditivo, oferecendo uma percepção dos sons.
Ferramentas de comunicação
Além dos aparelhos, existem diversos recursos que facilitam a comunicação para pessoas com deficiência auditiva:
- Libras (Língua Brasileira de Sinais): Um dos principais meios de comunicação entre surdos no Brasil.
- Legendagem e interpretação de sinais: Usados em programas de televisão, eventos e vídeos para garantir o acesso ao conteúdo por parte da comunidade surda.
- Aplicativos e softwares de transcrição: Ferramentas digitais que convertem fala em texto para facilitar a comunicação.
Desafios para a inclusão de pessoas com surdez
Barreiras sociais e atitudinais
Apesar dos avanços na legislação, ainda existem barreiras significativas para a inclusão plena de pessoas com deficiência auditiva. Preconceitos, falta de informações sobre a surdez e ausência de acessibilidade em diversos ambientes são exemplos de obstáculos enfrentados no dia a dia.
Avanços tecnológicos e educação
A inclusão das pessoas com surdez depende, em grande parte, de uma maior conscientização social e da contínua evolução das tecnologias assistivas. Programas educativos sobre Libras, por exemplo, são essenciais para criar uma sociedade mais acessível, e os avanços em inteligência artificial, como dispositivos mais inteligentes e intuitivos, podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas.
Considerações finais
A surdez é uma condição que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, e entender quais são os graus que definem uma pessoa como PCD é essencial para garantir a inclusão dessas pessoas na sociedade. Além disso, a legislação vigente assegura direitos fundamentais, enquanto as tecnologias assistivas desempenham um papel central para melhorar a comunicação e a interação social das pessoas com perda auditiva.
Ao promover a acessibilidade e combater as barreiras atitudinais, podemos construir um futuro mais inclusivo para todos, independente de suas condições auditivas.
Imagem: OlhoEm/Freepik










